Androidiano

 

 

 

 

Andróide desde menino.

 Notebook, punheta e leite Ninho.

O sangue deixa de existir, eletromecânica vida,

biomecânico material, pulmão de aço,

falo industrializado.

 

Robô é trabalho forçado, o peão recebe o fardo,

a arte modernizou, Asimov é o novo Deus,

O Panteão de Fios e Neuroses convoca os ciborgues,

enquanto os loucos se entrelaçam no Chato.

 

O futurista torna-se atual, fundi-se

ao Mecanismo de Dispositivos

Pós-Modernistas de Atuação Corporal-Cerebral.

Essa é a última poesia mundial. Leia sem piscar.

Finja aproveitar.

 

A vida é na televisão, os quadros de Picasso estão na mente,

os livros são em braile, a comida via reto, enquanto o

mundo cede ao teclado, movendo toda

a cultura para a Vala dos Circuitos Usados.

 

 

ODE AO COLOSSO

A Revolução dos Fracos (O primeiro ataque do Colosso destruidor de crenças)

A HUMANIDADE foge dos vodus invocados pela criatura, somos macacos de mãos hábeis a gesticular, enquanto o inevitável vocifera em nossas audições. As veias esquentam, o sangue pútrido da criatura extingue o amor e o ódio, os sentimentos são vazios, a única esperança do globo é a fuga, correr em busca de refúgio. Pessoas lacrimejam como princesas, gemem com fartura.

Humanos vindouros do esterco. A criatura niilista resmunga.

A transformação ocorre, a morte toma conta do suor humano, a terra é o refúgio do fim. Sob todos os aspectos possíveis, eu vejo o Colosso. Fugaz, temeroso e imponente, feito de vísceras e rostos, toda a vida humana é o seu ser carnal.  A neurose atinge meu cérebro, Colosso me observa. Eu choro, não consigo manter a razão. O objeto Colosso, destruidor de crenças, inimigo nosso, dos Deuses e Diabos, é o universo, belo e horrendo. Ele lança as sementes de fetos sob o asfalto. Dentes em forma de arames farpados. Colosso some com o atual, destrói o convencional, nada somos a partir de então.

Pregações de virgens envelhecidas, credos e cruzes dementes, dançam sob o sol mistificado. Ave Maria vai pro saco.

Próximo a mim, vejo os rebeldes, aqueles que nunca desistem. Jorram palavras amaldiçoadas, arremessam objetos de vidro, pedras e lixos, alguns armados, atiram as balas mortíferas contra o herético bicho. O amorfo é instalado. Pensadores tentam conceber teses, elaborar motivos, o domínio dialético está fodido, o Colosso devora as suas entranhas e jorra as fezes do alimento ao léu, em cada pedaço de estrume, é visível o rosto de um gênio.

De Einstein a Hegel.

As lágrimas a descer, dirigem-se ao chão quente. A emoção de observar algo tão grandioso e aterrorizante me encanta. Garrafas, facas, bombas de fumaça, tudo é inútil. O Colosso é constante, sua fúria é hipnótica, seu ataque é de cascavel. O tremor é morte, a dor é sangue, o medo é insano. Fiquem parados, eu digo, a fuga é débil.

O incontável infinito do universo, constituído de anjos, humanos e demônios é o seu alvo de crítica. Não importa que criatura seja: Você é um pedaço de papel, perante a amplitude do Colosso. Ele paira a minha frente, megalomaníaco ser caótico de beleza e feiúra formidável. Os arames são visíveis. Sua boca feita de intestinos grossos emite o trovão sepulcral, meu corpo e o dele tornam-se um.

A escuridão fétida da morte adentra lentamente em meus músculos e ossos.

O meu mundo termina, enfim.

 

COLOSSO

O Inferno recheado de boas razões,

a Terra de intenção, o Paraíso de cifrão,

o verso maledictione é emitido, o grito

emergido, invoca o Colosso-Juíz ao infinito.

 

Aversão aos homens, deuses e demônios,

imortal do ego, Colosso das terras

amargas, salga a água e apodrece o alimento,

vulgariza o destino e fragmenta o sigilo.

 

Narciso arranca o rosto, teme o Colosso,

vil criatura da desforra, vomita leis para

o todo, acima de qualquer crença, palmas

para o magnificente, Deus atual da terra-fosso.

 

Simula Judas como ninguém, beija seus lábios

quentes, brota vermes em sua traquéia,

resistir é inábil, respire e deixo-o entrar,

Colosso eterno, rei da contra hipocrisia,

O Mundo, Céu e Inferno tornam-se seu lar.

 

Subjugue o coração, converta todos

em uma só massa, mostre que a diferença

está no lugar, no final das contas,

todos somos esgotos entupidos,

esperando o fim do próprio respirar.