Queroká

Algo me diz, o perigo há de vir
duplica percepções, pombas giras
citam Zaratustra em vão, xogum do léu
semelhante a morte, mofa o nosso pão.

 

Além da tempestade, uniformes prisões
algemam Morfeu e Aquiles, os homúnculos vindouros
de Calígula, cospem tempestades e trovões
ao som da harpa de Sião.

 

Queroká, rei dos desgostos e das sete marés do caos,
abraça-te as górgonas, prenda-se ao globo caído,
jejuando perante milhões de décadas,
gozo de espasmos, báratro em forma de urro,
escarra o seu manifesto, feto sem reto, vida sem rumo.

 

Motim sem coerência, Queroká, o rei da desavença,
entre em nossas noites, abra os braços disformes, erga
a sua bandeira negra e faça da terra,
infinitude do seu mundo.

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A Fabricação de um Herdeiro para o Novo Mundo

RUGOSA carne humana, feita de odor e paraíso. A partir dele o novo filho do Homem há de provir. O filho de Deus do Antigo Mundo disse que a luxúria do vinho assemelha-se com tal carne, tamanha a tentação e beleza. Maria arrancou as vestes, a luz mosaica cegou a todos nós, tombamos entre a dupla santificada, reflexões e feitiçarias em forma de gozo nos atingem. O filho de Deus do Antigo Mundo ergue a ideologia, esfria o coração das vidas ao redor, éden cai perante nós, meros expectadores de tamanha sedução. O anêmico caldo do filho despreza a gravidade, Maria os apara com os lábios exóticos, seus seios acendem, faróis dos tempos modernos, – bicos róseos – ela ergue os enormes e fartos pedaços de pecado, nós só podemos observar, afinal, o ato da fala deixa de existir.

 

O silêncio é o nosso orgasmo.

 

O único som restante é o da libertinagem, Marquês de Sade é quem sabe, o tempo necessário para o falo subir até o ápice. Maria desnuda exibe depilação a Brasileira, os lábios enormes, citando a lua e o sol, seduzem homem e mulher, amamenta os nossos olhares com taras rodeadas de pecados. (Fertilizantes mentais servem de inspiração para o sexo individual.) Arranco a roupa, os outros ao meu redor fazem o mesmo. Maria aprova, encaro-a por um instante, endurecendo a minha hombridade. Vejo-a por completo: É branca, modelada por Deuses esquecidos, Seres estes que largaram a terra ao vácuo dos bastardos, filhos de Kafka e demônios feitos de vadias de esquina.

 

O novo mundo precisa de um herdeiro, Lovecraft, Rimbaud e Borges estão para aprovar, a cria do Frankenstein que está para ser feito. O filho do Deus Antigo aproxima-se de sua mãe, o leito santificado respinga, enquanto a Maria desnuda o puxa com rigor, falo encontra lábio, os nossos olhares se perdem na penetração exaustiva e infindável, um big-bang espiritual, um orgasmo anormal, o branco toma conta de toda a matéria estéril, até que devoram as nossas almas de forma banal. O niilismo introduzido, a orgia e o rebuliço, homenageiam o futuro filho. O algoz branco se encontra com o útero fecundado, o gemido torna-se um e entre as nossas rezas, preces e lágrimas, observamos o nascimento do nosso sobrinho. O filho do Novo Mundo. O líder religioso de uma terra sem nada. O feto de uma cadeia subversiva, derivada de loucos e imundos. A nossa imagem e semelhança, um espelho em forma de carne e sangue.

 

Um caído em meio aos descendentes do remate.

Buckingham Sitiada

Parker e Charles estão aviltados,

Kate plebeia vai se casar, sonho

de Diana, prestes a alcançar.

 

Buckingham espreita o sublime,

a causar invídia nas vulvas encéfalos, alucinadas

pelo inferno cifrão, William rijo conduz o cordeiro.

 

Afirmo com convicção, a disparidade

entre monarquia e democracia, repousa

no odor do trono e na poupança

quadrada dos seus respectivos donos.